Em Hangzhou, o bilionário da IA comprou ações no IPO do bilionário dos robôs
Quando a Unitree Robotics abriu capital em agosto, um de seus investidores estratégicos era a empresa por trás do DeepSeek. As novas fortunas de Hangzhou começam a alimentar umas às outras.

Quando a Unitree Robotics vendeu ações ao público em Xangai, em agosto, os documentos da oferta listavam seus investidores estratégicos. Um deles era a Hangzhou DeepSeek Artificial Intelligence Basic Technology Research, a empresa por trás dos modelos DeepSeek. Ela recebeu 933.399 ações, cerca de 2,3% da oferta.
Era uma linha pequena num prospecto enorme. Mas dizia algo sobre a cidade onde as duas empresas ficam. As fortunas de tecnologia de Hangzhou estão cada vez mais sendo feitas, e investidas, umas nas outras.
Uma manhã de 629%
A Unitree precificou as ações a 150,80 yuans, avaliando a fabricante de robôs humanoides e quadrúpedes em cerca de 61 bilhões de yuans. Em 19 de agosto, elas abriram a 1.100 yuans, alta de 629%, e o valor de mercado da empresa chegou a passar de 440 bilhões.
Wang Xingxing, fundador da Unitree, de 36 anos, detém diretamente cerca de 21% da empresa e um pouco mais pela plataforma dos funcionários. Ao preço de abertura, sua fatia valia cerca de 133 bilhões de yuans, uns US$ 16 bilhões, o que fez dele o empresário chinês mais rico nascido depois de 1990.
Entre os maiores acionistas da Unitree está a Shunwei Capital, fundo cofundado por Lei Jun, da Xiaomi. A Shunwei foi a única investidora da rodada série A da Unitree, anos antes de os robôs humanoides entrarem na moda, e estava entre os cinco maiores acionistas na abertura de capital.
O discreto
A linha do DeepSeek aponta para a outra fortuna nova de Hangzhou. Liang Wenfeng fundou o fundo quantitativo High-Flyer antes de criar o DeepSeek, em 2023. Quase não dá entrevistas e raramente aparece em público.
Segundo reportagens da imprensa financeira chinesa sobre o índice da Bloomberg, ele vale cerca de US$ 36 bilhões, mais do que qualquer outro fundador de empresa de IA. O DeepSeek captou dinheiro em junho a uma avaliação de cerca de US$ 50 bilhões, mas o próprio Liang foi o maior investidor da rodada, com cerca de US$ 3 bilhões.
Ele manteve cerca de 78% da empresa.
Os seis pequenos dragões
A mídia chinesa chama o grupo de jovens empresas de tecnologia de Hangzhou de “seis pequenos dragões”: DeepSeek; Unitree; Game Science, criadora do videogame Black Myth: Wukong; a empresa de interfaces cérebro-computador BrainCo; a Deep Robotics; e o grupo de software de design Manycore.
Dois dos seis já têm fundadores entre as pessoas mais ricas da China. A abertura de capital da Unitree também criou uma série de fortunas menores: os primeiros funcionários, que receberam em 2017 opções a um yuan cada, hoje têm fatias que valem dezenas ou centenas de milhões de yuans, embora a maioria esteja travada por três anos.
O circuito importa porque mantém o capital na cidade. O dinheiro ganho com uma empresa de Hangzhou é investido na próxima, por gente que conhece os fundadores e a cidade. Foi assim que o Vale do Silício cresceu nos anos 1970 e 1980, quando o que rendia uma empresa de chips bem-sucedida financiava a seguinte.
Hangzhou ainda tem muito chão até essa comparação ser mais que um elogio. Mas numa semana de agosto, seu bilionário da IA virou acionista da empresa do seu bilionário dos robôs, e o resto do país reparou.
Fontes
- Guancha: Unitree lists, Wang Xingxing worth over ¥100bn, Liang Wenfeng and Lei Jun profit (19 Aug 2026)
- Huxiu: Unitree jumps 629% on its first day
- The Standard: Wang Xingxing tops post-90s rich list with ¥133.5bn stake
- Sina Finance: Liang Wenfeng becomes the richest AI founder (15 Jul 2026)
- Caixin Global: Unitree prices Shanghai IPO at ¥61bn valuation
- TechFlow: Unitree’s ¥1-a-share employee shareholders
Imagem de capa: Bjoertvedt, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0. Recortada.
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